Na casa da família na povoação caribenha de La Araira, oito irmãs vivem à sombra de uma mãe morta-viva, perante o abismo de uma linhagem em decadência. A morte inesperada do pai desequilibra as relações de poder na casa, que fecha as portas a todas as ameaças do mundo exterior. As mulheres passam a viver como pássaros engaiolados, medrosos e sedentos de vingança. Quem nos narra a história é Nazarena, a sétima filha, que as irmãs consideram doida. Leva os dias a varrer obsessivamente o pátio da casa. Pensa assim poder afastar o azar. Mas a poeira que se levanta destapa todos os ressentimentos e violências do passado. Regressam os mortos, aparecem animais que pressagiam desastres, e o silêncio reinante, só interrompido pelos gritos das mulheres da casa, é uma ameaça densa. É uma casa de família em La Araira. Mas nessa casa-prisão cabe um país, cabe um mundo, cabe o tempo todo. Depois dos premiados Cai a noite em Caracas e O terceiro país , a escritora venezuelana Karina Sainz Borgo volta a reinventar-se e a surpreender, compondo uma saga familiar que ecoa a melhor tradição de Juan Rulfo, García Márquez, Faulkner e Lorca. Com um registo singular em que se mesclam realidade e alucinação, entrega-nos uma história inquietantemente contemporânea e universal, que destapa as feridas da existência. « Tudo é mito e casa, fuga e regresso, na forte escrita de Karina Sainz Borgo. A força feminina avança, quaisquer que sejam as circunstâncias ou os obstáculos. Personagens e enredos – que parecem vir das nossas origens mais longínquas -, mas que, afinal, esclarecem, tornam claro e, enfim, fazem estremecer, com grande potência, o nosso magnífico ou mísero dia.» Gonçalo M. Tavares « Uma escrita seca, concisa, direta, de uma força expressiva extraordinária. Simplesmente magistral.» Fernando Aramburu, El Mundo « A literatura de Karina Sainz Borgo apurou-se até chegar à forma de Nazarena, uma obra tremendamente poderosa, uma enfermaria psiquiátrica literária, onde o universo ficcional da autora se condensa e acelera, infetado por uma febre tropical.» Ulises Fuente, La Razón « Ouvem-se ecos de inúmeras obras e autores. Além de Rei Lear, ressoam Macbeth, O som e a fúria, de Faulkner, Pedro Páramo, de Rulfo, A vida é sonho, de Calderón, bem como Sófocles, Lorca, García Márquez e Jorge Amado. Um romance poderoso sobre a vida, a dor e a morte. Ao fundo, como sempre, a Venezuela.» Ascensión Rivas, El Cultural « Sainz Borgo escreve como se arrancasse as palavras do mais fundo de si.» Antonio Lucas, El Mundo « Nazarena é protagonista e narradora do romance de Karina Sainz Borgo e uma personagem fortíssima, como o são as irmãs que habitam a casa de família, dominada, como uma Bernarda Alba, pela tia Porcia. Na melhor tradição de Rulfo e de Faulkner, a autora domina os monólogos interiores como espelhos de uma sociedade caribenha deformada. […] O melhor romance de Karina Sainz Borgo.» José María Pozuelo Yvancos, ABC Cultural « Uma tragédia rural com laivos sobrenaturais e ecos de Lorca, sustentada por uma prosa implacavelmente precisa. […] Sainz Borgo entrega um romance sinestésico que não se lê apenas, ouve-se e permanece em nós, como o cheiro do fogo muito tempo depois de se ter extinguido.» Erica Durante, Zenda Ler mais Ler menos