Section title
Perto do coração selvagem - EDICIONES
3 ediciones

Perto do coração selvagem
Editorial: companhia_das_letras
ISBN: 978-98-9583-331-3
ISBN sin guiones: 9789895833313
Tipo de cubierta: Softcover
Páginas: 216
Fecha de publicación: 2025-01
Idioma: portugués de Portugal

Perto do coração selvagem
Editorial: Rocco
ISBN: 978-85-3253-162-9
ISBN sin guiones: 9788532531629
Tipo de cubierta: Softcover
Páginas: 208
Fecha de publicación: 2019
Idioma: portugués de Portugal

Perto do coração selvagem
Editorial: editora_rocco
ISBN: 978-85-3253-159-9
ISBN sin guiones: 9788532531599
Tipo de cubierta: Hardcover
Páginas: 208
Idioma: portugués de Brasil
Section title

Perto do coração selvagem
Primera publicación: 2019
O surgimento de Perto do coração selvagem, em 1943, causou grande impacto no cenário literário brasileiro, proporcionando à autora aclamação imediata da crítica e de seus colegas escritores. Houve quem encontrasse no livro a influência de Virginia Woolf, ao passo que outros apostavam em Joyce, seguindo a falsa pista da epígrafe da qual Clarice pinçou seu título: " Ele estava só. Estava abandonado, feliz, perto do coração selvagem da vida." Ambos os grupos estavam errados, apesar do uso do fluxo de consciência pela escritora estreante a justificar tais correlações. Ocorre, no entanto, que esse havia sido um achado natural e espontâneo para Clarice Lispector, que admitiu como única influência neste caso O lobo da estepe, de Hermann Hesse. Não em termos estilísticos tampouco por se identificar com o caráter do protagonista, mas sim por compartilhar com ele e, sobretudo, com Hesse, o desejo imperioso de romper todas as barreiras e ultrapassar todos os limites na busca da própria verdade interior. Anseio personificado pela personagem central, Joana, com uma expressão que se tornou célebre: " Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome." Íntima e universal, destemida e secreta, Joana " sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres" e ela destoava do sistema patriarcal em que se encontrava inserida da mesma forma que Clarice se distanciava da literatura de seu tempo, ainda dominada pelo regionalismo e o realismo. Ambas, autora e protagonista, eram forças divergentes, porém não dissonantes, já que introduziam uma nova musicalidade, uma harmonia própria, poética e triunfal, na aspereza circundante, enquanto buscavam " o centro luminoso das coisas" sem hesitar em " mergulhar em águas desconhecidas", deixando o silêncio e partindo para a luta. Deste embate à beira do íntimo abismo, Joana torna-se uma mulher completa e Clarice, uma escritora singular e inimitável.