« Era um lamento sem tristeza. O homem estava no coração do Brasil. E o silêncio fruía a si mesmo. Mas se a brandura era o modo como se ouvia a noite, para a noite a brandura era a sua própria aguda espada, e na brandura a noite toda estava contida.» Dividido em três capítulos e girando em torno de três personagens — Martim, Vitória e Ermelinda —, este é um livro primorosamente construído em torno de mistérios, alegorias e ligações paradoxais. Martim está em fuga de um crime que acredita ter cometido, e mergulha na noite, na selva, nas sombras, avançando entre o medo e o fascínio. As primas Vitória e Ermelinda vivem numa propriedade remota e silenciosa, e o seu quotidiano é sobressaltado pela chegada inesperada de Martim, que ali ficará a trabalhar. Um homem que encerra um enigma e cujo espírito é habitado pela escuridão. Um homem em busca de « saber qual é a ação de um homem». Num romance profundamente metafísico, Martim, alter ego de Clarice Lispector, parece estar sempre diante de uma quase-epifania: vive a sua vida como destino e encontra no instante antes da queda uma hipótese de salvação. « As personagens de A maçã no escuro comunicam na fronteira da incompreensão, sabendo as coisas antes de as entenderem. Estabelecem relações mudas e já mecanizadas, vivendo num acordo cujos elos lhes escapam. Dir-se-ia que, ocultando-se, se pressentem, pois ‘quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer’.» Ana Cláudia Santos, nota de apresentação « Lispector usa os combates interiores das personagens de A maçã no escuro para nos conduzir ao seu argumento: ainda que possamos racionalizar o nosso comportamento, não sabemos explicar, no fim de contas, por que razão pensamos como pensamos ou agimos como agimos.» Chicago Review of Books « Clarice Lispector é enigmática, mística, contraditória e filosófica. Mesmo que comece em território familiar […], rapidamente se desvia para um reino em que os sons se tornam discordantes e a paisagem se faz indiscernível, assumindo tonalidades imprevistas.» The New York Times « Uma das maiores escritoras do último século.» The Guardian « As suas imagens deslumbram até quando o seu significado é mais obscuro, e quando escreve sobre aquilo que a incomoda é a encarnação da lucidez.» The Times Literary Supplement « Clarice Lispector tinha uma inteligência lapidar, um instinto visionário e um sentido de humor que ia desde o deslumbramento ingénuo até à comédia maliciosa. Um corpo literário impressionante que não tem par na literatura.» Rachel Kushner « Uma escritora verdadeiramente notável.» Jonathan Franzen « Uma das escritoras mais misteriosas do século XX.» Orhan Pamuk « Brilhante e inclassificável. Elegante, culta, temperamental, Lispector é uma artista emblemática que pertence ao mesmo panteão de Kafka e Joyce.» Edmund White Ler mais Ler menos