Ela tem lábios finos, olhos de águia e nariz adunco. Ele, lábios carnudos, olhos meigos e nariz pequeno. De fora, ninguém diria ser ele o agressor e ela, a vítima. Um olhar mais demorado, porém, uma atenção redobrada, e a hierarquia torna-se evidente: ele manda, ela obedece; ele põe e dispõe; ela come e cala. Mas também cozinha. Porque ela é a cozinheira do ditador. E, entre tachos e panelas, além de belos repastos para tentar satisfazer a sempre insaciável fome do ditador, ela cozinha a sua vingança, que, como as mais belas vinganças literárias, se serve fria e metaforicamente. A cozinheira do ditador , tratado de culinária e da arte de bem comer, é um romance divertido e mordaz sobre a perversidade que se esconde onde menos se espera e o muito que se cozinha na sombra, recheado de personagens ímpares e temperado com a reconhecida audácia de Afonso Cruz. Os elogios da crítica: « O novo livro de Afonso Cruz [ A cozinheira do ditador ] é delicioso, perverso e cheio de humor. Vemos nele, mesmo sem atribuir nome à personagem – o Ditador -, um Salazar que não escapa à escrita do próprio Afonso, um dos nossos melhores ironistas à maneira de Jorge Luis Borges. Para ele, a literatura é um imenso dicionário inacabado.» Francisco José Viegas, Correio da Manhã « Afonso Cruz faz um malabarismo literário no romance A cozinheira do ditador , próprio de um escritor que vai ao mercado comprar os melhores produtos para deixar no leitor uma fome por boa leitura.» João Céu e Silva, Diário de Notícias « Afonso Cruz pertence a uma rara casta de ficcionistas: os que acreditam genuinamente no poder da efabulação literária.» José Mário Silva, Expresso « Um escritor capaz de tocar várias cordas na sua guitarra.» Le Monde « Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.» Miguel Real, Jornal de Letras « Não vou descansar até que todos os leitores descubram o Afonso Cruz. Já prometi usar de violência física para obrigar um a um a ler a maravilha que ele escreve, e não estou a brincar. Faz-me a alma luxuosa. Passo a ter jóias na imaginação.» Valter Hugo Mãe « Para onde vão os guarda-chuvas é o ponto mais alto da capacidade narrativa e de efabulação de Afonso Cruz. É fácil cair em jargões para o classificar. O que poderia não passar de um exercício de demonstração de sabedoria é um livro cheio de humanidade, muitas vezes brutal, e de um apurado sentido estético. Magnético.» Isabel Lucas, Público « Jalan Jalan concede a Afonso Cruz um novo lugar na literatura portuguesa deste terceiro milénio. […] O autor passa a ter um mundo próprio com 26 luas a rodar o planeta das suas escritas, tantas como as letras do nosso alfabeto.» João Céu e Silva, Diário de Notícias « Jesus Cristo bebia cerveja é um romance transgénero: uma tragédia rural, rude e desesperada, uma história bucólica – a que não falta um pastor rústico e uma jovem que se banha nua no rio -, uma fábula política e ainda uma farsa. Joga em todos estes registos romanescos e desafia todas as convenções.» Éric Chevillard, Le Monde Ler mais Ler menos